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A FAVOR DO BRASIL

Valor Econômico

28/04/2010

Oposição convoca Garcia e falta à sessão

(Caio Junqueira, de Brasília)

A oposição não se apresentou e a presença do assessor especial da Presidência da República, Marco Aurélio Garcia, na audiência pública para tratar da posição do governo sobre direitos humanos em Cuba acabou virando uma reunião quase que exclusiva do PT sobre política externa.

A audiência foi proposta em março pelo presidente do PSDB de São Paulo, deputado Mendes Thame, com o objetivo de ouvir Garcia sobre "comentários que lhe foram atribuídos, relativos à morte do opositor de consciência cubano, Orlando Zapata Tamayo, durante a visita que autoridades brasileiras fizeram a Cuba, expressando a opinião de desrespeito a direitos humanos poder ser corrente em diversos países, além do que se teria verificado em Cuba, naquela ocasião".
No entanto, Mendes foi o único oposicionista presente. O presidente da comissão, Emannuel Fernandes (PSDB-SP), apenas abriu a sessão, deixando-a em seguida. Estiveram na audiência seis petistas: Arlindo Chinaglia (SP), Dr. Rosinha (PR), Fernando Ferro (PE), Iriny Lopes (ES) Luiz Couto (PB) e Nilson Mourão (AC).

Com essa configuração, sobrou espaço para o enaltecimento da política externa e do papel de Garcia nesse contexto, que fez a defesa da política conduzida pelo Itamaraty. Disse que o Brasil em nenhum governo - inclusive no do presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) - entrou em questões internas de outros países, que esses assuntos são tratados dentro de organismos multilaterais como a Organização das Nações Unidas (ONU) e a Organização dos Estados Americanos (OEA), que o país muitas vezes prefere fazer negociações "discretas" com alguns países, o que costuma ter maior eficácia, e que o debate atual está contaminado por questões eleitorais e partidárias.

Após a exposição e os questionamentos dos petistas, Mendes dirigiu a palavra a Garcia perguntando se ele concordava com declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva que igualaram a situação de presos políticos com presos comuns; quais fontes o governo tem sobre presos políticos em Cuba; e uma melhor explicação sobre ter dito que há desrespeito aos direitos humanos em todos os países.

Garcia disse que as declarações foram mal interpretadas e que há denúncias de desrespeito aos direitos humanos como a questão dos imigrantes na União Europeia, aos palestinos na faixa de Gaza e às mulheres no Oriente Médio. Concluiu dizendo que a situação toda cubana é fácil de ser atacada pela oposição, por ser complexa e difícil.