
quarta-feira, 21 de janeiro de 2009
Cidade
Volta de Alckmin esfria briga de tucanos pelo Bandeirantes
Ex-governador e Aloysio terão de agir com cautela para não prejudicar Serra
Silvia Amorim
A decisão do governador José Serra (PSDB) de trazer para o seu secretariado o antecessor Geraldo Alckmin (PSDB) deve esfriar a disputa interna que já começava a se configurar no ninho tucano para a escolha do sucessor ao Palácio dos Bandeirantes em 2010. Um dia depois do anúncio da nomeação do ex-governador para a Secretaria de Desenvolvimento, a avaliação de quem defende Alckmin ou o secretário da Casa Civil, Aloysio Nunes Ferreira, para ser o candidato a governador na próxima eleição é de que é natural a decretação de um armistício.
"Acho que nesse momento haverá um enorme abrandamento do conflito", afirmou o secretário municipal de Esportes, Walter Feldman. O tucano foi uma das lideranças do grupo do PSDB - ligado a Serra - que se opôs à candidatura de Alckmin no ano passado à prefeitura paulistana e apoiou a reeleição do prefeito Gilberto Kassab (DEM). Hoje esse grupo se movimenta para fortalecer Aloysio. "Ontem havia dois campos independentes. Hoje é possível pensar no futuro em um único campo", emendou Feldman.
Para o presidente estadual do PSDB, Mendes Thame, que vai comandar oficialmente a escolha do candidato ao governo estadual, a confirmação de que será Serra o condutor desse processo "aumenta a chance de haver uma grande conciliação". Thame considerou, entretanto, "ilações" as especulações em torno de disputas internas para o posto.
Mesmo faltando quase dois anos para a eleição, dirigentes do PSDB em São Paulo demonstravam desde o fim do ano passado preocupação com a ameaça de uma reprise, em 2010, do racha ocorrido na sucessão municipal, quando ficou, de um lado, o grupo ligado a Serra fazendo campanha para Kassab e, de outro, os alckmistas apoiando a candidatura do ex-governador. Um deles confidenciou que seria "praticamente inevitável" esse embate com Aloysio percorrendo o Estado em inaugurações e compromissos oficiais do governo e Alckmin em uma "agenda paralela".
A entrada de Alckmin no governo não significa, entretanto, o fim da disputa entre os dois nomes. Ambos sabem que precisam se viabilizar e vão trabalhar para isso. A mudança esperada é na forma como isso será feito, porque é unânime a intenção de que um eventual confronto não provoque uma crise no governo Serra, com isso prejudicando o projeto maior, que é a eleição do governador à Presidência da República. "Os dois passam a ser candidatos do governo e, aí, é natural. Não é que você terá um nome do Serra e outro de fora", avaliou o deputado Edson Aparecido (SP), um dos aliados de Alckmin.
O líder do PSDB na Câmara dos Deputados, José Aníbal (SP), também acredita numa união do partido em São Paulo. "Eu vejo muito positivamente. O governador e o ex-governador encontraram uma convergência muito importante para São Paulo e para o Brasil."
Disputas à parte, Alckmin e Aloysio sabem que a palavra final nessa escolha será do governador. O maior desafio de Aloysio hoje é tornar-se conhecido no Estado. Já o de Alckmin é fazer um trabalho bem feito e convencer Serra de que é a melhor opção.
Até ontem não estava definido quando Alckmin assumirá a Secretaria de Desenvolvimento. A expectativa é de que seja na próxima segunda-feira. Ontem ele foi a seu escritório político e passou o dia em reuniões.