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O futuro da água

Na onda da defesa ambiental, muito se fala da preservação da flora e da fauna, mas nem todos têm consciência do risco que a humanidade, ou boa parte dela, corre de ficar sem água potável. Estima-se que, hoje, um bilhão de pessoas já estão à margem do acesso ao líquido da vida. No Brasil, seriam necessários investimentos de 180 bilhões de reais para atender toda a população, com água potável e saneamento básico.
As autoridades precisam tomar medidas urgentes para evitar a exploração devastadoras de aqüíferos e bacias hidrográficas. Mas, antes disso, é preciso que cada cidadão tome ciência de que somente os pequenos atos vão fazer a grande e fundamental diferença.
O deputado federal Antonio Carlos Mendes Thame falou com exclusividade para o Jornal da Conapub, sobre o Fórum Mundial da Água, do qual participou, em Istambul, na Turquia. Lá foram tomadas as primeiras providências para a consolidação de uma ação global pela preservação e democratização da água.

Deputado Mendes Thame: o que mudaria caso o Fórum Mundial da Água decretasse a água como direito humano?
Sintetizando, seria inserir o acesso à água potável como um direito assegurado a todos os cidadãos do mundo. Para que se chegue a isso, está sendo projetada a criação de uma autoridade mundial da água, vinculada à ONU, como forma de enfrenta-mento ao problema de falta de água, que se agrava de ano para ano. O 5º Fórum Mundial da Água, realizado em Istambul, em março, contou com a participação de 30 mil representantes, vindos de 192 países, números recordes que deram grande legitimidade ao evento. O que se pretende é que os países se unam para enfrentar um problema que atinge fundamentalmente as populações mais pobres, as quais não têm acesso à água e ao saneamento básico. Para termos uma idéia do que isso significa, basta citar que, no Brasil, um dos países de maior disponibilidade de água do mundo, precisaríamos investir R$ 180 bilhões para reduzir pela metade o número de brasileiros sem acesso a água potável e saneamento básico, até 2015, para cumprir as metas do Metas do Milênio estabelecidas pela ONU. Países pobres, como os da África, onde 1/3 da população não tem acesso à água potável, da Ásia e da América Latina, teriam de receber recursos inter-nacionais, para garantir o abastecimento de suas populações e produzir alimentos, visto que a disponibilidade da água não se limita apenas a garantir o consumo humano. No Fórum de Istambul, infelizmente, a delegação brasileira foi contra a proposta de a água ser incluída na área de direitos humanos, com os custos sendo diluído entre todos os países, defendendo sua inclusão na área de direitos econômicos, sociais e culturais, com os recursos financeiros operacionais sendo providos apenas pelos países ricos, mesma tese que defende do aquecimento global.