Mendes Thame

19/12/2013 | Petrobras, rumo à quebradeira

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Antonio Carlos Mendes Thame¹

A consultoria norte-americana Macroaxis divulgou um estudo que indica que a probabilidade de a Petrobras falir é de 32,4%, em dois anos.

A projeção é dramática, mas está fundamentada em uma constatação devastadora: a má gestão da estatal. Por mais difícil que seja acreditar, a Petrobras é hoje a empresa não financeira mais endividada do planeta. Essa dívida passou de R$ 45 bilhões para R$ 190 bilhões, o que revela uma crise grave de governança.

Para fazer a projeção, a Macroaxis criou um algoritmo que pode ser usado por auditores, contadores, gerentes financeiros e consultores financeiros para avaliar o risco não sistemático de uma ação.

Diante disso, é preciso lembrar que a política econômica da Petrobras caminha na direção contrária à política apontada por especialistas do setor energético. Segundo eles, a empresa deveria frear o ritmo de investimentos para evitar que o aumento do endividamento leve ao seu rebaixamento no ranking das agências de risco.

Em outubro, a agência de risco Moody’s rebaixou a nota da Petrobras de “A3″ para “Baa1″,  passando a empresa na escala de grau de investimento de baixo risco para a de qualidade média.

A Moody’s diz que a dívida total da companhia aumentou no primeiro semestre de 2013 em US$ 16,3 bilhões, ou US$ 8,3 bilhões pela quantia líquida de caixa e títulos negociáveis, e deverá aumentar novamente em 2014, com base em uma perspectiva negativa para o fluxo de caixa ao longo de 2014 e em 2015.

Para agravar o cenário, existe um problema adicional: em ano eleitoral, dificilmente a companhia e o governo federal promoveriam uma redução em qualquer um dos 947 projetos em andamento. Só o Plano de Negócios para o período 2013-2017, que está sendo revisado para 2014-2018, prevê investimentos de US$ 236,5 bilhões, ou seja, US$ 47,3 bilhões por ano.

Isso implica dizer que a única coisa que cresce na Petrobras é o endividamento. Para piorar, o prejuízo causado pela má-gestão recai no bolso dos acionistas. O investidor que destinou US$ 1 mil de sua poupança às ações da estatal brasileira teria hoje 70% a menos do que aquele que apostou no XLE, índice de empresas americanas do mesmo setor.

Diante da gravidade da crise, existem poucos caminhos a trilhar. Um deles é defendido pelo senador Aécio Neves: a reestatização da Petrobras, como forma de tirá-la das garras de um partido político sem projeto de governo, para compensar o fracasso na condução da política econômica, para controlar o que o governo não conseguiu e fazer um instrumento do Estado brasileiro.

Sim, porque hoje o Brasil colhe, e ainda colherá por muitos anos, os resultados da “contrarreforma” que foi a mudança de modelo do marco regulatório do setor do petróleo, feita pelo PT a partir de 2007, após a descoberta da camada do Pré-Sal.

Na ocasião, especialistas classificaram a decisão como o maior erro de política econômica estratégica do Brasil da história contemporânea. Os prejuízos causados à Petrobras e ao país pelo modelo aplicado no governo PT são da casa de bilhões.

Justamente por isso, hoje a Petrobras vale menos da metade do que já valeu, deixou de ser uma empresa que opera no mercado global para ficar sozinha no mercado nacional, o que não consegue.

As ações desenvolvidas pelo governo federal prejudicaram as exportações de petróleo e derivados, trouxeram enormes prejuízos para acionistas e trabalhadores que adquiriram ações pelo Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) e afugentaram investidores.

De janeiro a setembro deste ano, a estatal desembolsou US$ 32,5 bilhões na compra de petróleo e derivados, o que revela que o descontrole da economia está levando a empresa ao sacrifício.

Muitos especialistas têm declarado à imprensa que  se 2013 foi um ano ruim, 2014 será um ano perdido para a Petrobras. Isso porque, mesmo que a produção de petróleo aumente 7%, como é esperado, a queda de até 3%, em 2013, limitará o aumento da produção, que ficará apenas no mesmo nível alcançado em 2010.

O que se espera  é que essa previsão catastrófica da consultoria norte-americana não aconteça. A expectativa, mesmo diante das dificuldades, é de recuperação por meio de caminhos técnicos e administrativos. Do resto, é aguardar que esse orgulho nacional possa ficar novamente em pé.

¹Antonio Carlos Mendes Thame é professor (licenciado) do Departamento de Economia da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz e Deputado Federal (PSDB/SP).

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